quinta-feira, 24 de setembro de 2009

REFLEXOS

De sofrer o teu ciúme me acusas
É minha a frieza que te reveste
Quando penas, a dor que em ti recusas
Apontas em mim, a prova conteste!
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É neste espelho que o nós permanece
No reverso, aqui tão verdadeiro!
Quando das minhas faltas te perdoo
E é dos teus pecados, que me ajoelho.

Me invadem tuas histórias de abandono
Aqui jaz o encanto, nosso segredo
Aflita, por tua mão imploro tanto!

Porque é assim que te afasto do teu medo
Soluço e na agonia do meu pranto
São só tuas, as lágrimas que verto!
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Bring it back, bring it back, don't take it away from me, because you don't know what it means to me... (Queen)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O QUE LHE FIZESTE, MENINA?

O que lhe fizeste, menina?
Com teu doce e meigo jeito
Aqueceste um coração
Um sol, dentro do peito!

Abriste-lhe o segredo
Reescreveste o pergaminho
Iluminaste seu caminho
Onde havia dor e medo.
Inconsequentemente
O retiraste do abandono
Graciosamente
Onde havia frio e sono.

O que lhe fizeste, mulher?
Com teu riso, com teu beijo
Generoso malmequer
O incendiaste de desejo.
Disseste a palavra certa
Tampaste a ferida aberta
E não pediste nada, sequer
Parecia próprio o ensejo...

Maldita!
Nada quiseste, heresia
Nem te comoveste
Com a mais linda melodia.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Dá-me tua mão

DÁ-ME TUA MÃO

Dá-me tua mão, escuta!
Sem, não há consolação
E é inglória, toda luta

Quem expia, sem irmão
Tudo que a vida tributa?
Escuta, dá-me tua mão!
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sexta-feira, 26 de junho de 2009

INCONDICIONAL

























Porque há olhos de ver
A gente enxerga...
Porque há ouvidos para ouvir
A gente escuta...

Mas quando há um sentimento único
De se colocar ao lado do outro
E um desejo tão profundo
De oferecer alívio

O que se viu, ouviu e percebeu
É... irrelevante!

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Não é cegueira, surdez, ingenuidade, pouca inteligência...
É verdade de sentimento mesmo.

sábado, 20 de junho de 2009

AMOR E MEDO

Humanidades & afins: AMOR E MEDO

AMOR E MEDO


Admiravam-se
Quase embriagados
E era uma embriaguez tão doce...
Entre sorrisos, era bom estarem juntos
Só o brilho e a brancura dos dentes
Agora eram importantes!
Porque o sorriso existia
Onde a alegria e a leveza imperavam.
Tinham sede
Mas a sede era por estarem boquiabertos
De tanto que se admiravam
E por respirarem adiantado o ar à sua frente
E essa sede, era a própria alegria deles.
Falavam e riam
Mas não se ouviam, não era importante
Estavam tão embriagados!
Riam e falavam
E era apenas para emprestar um pouco de materialidade
À leveza deles, de tanto que se admiravam
E tinham sede.
O melhor terno, o melhor vestido
O melhor perfume... agora também tinham valor
E peso, porque queriam agradar
Porque se admiravam e estavam embriagados
E tinham sede, e a água, entrevista, brilhava.
Amaram-se, enfim, beberam
E mergulharam no êxtase do encontro
Admiraram-se, amaram-se, extasiaram-se
Mas a água era escura e profunda
E tinha peso
E ele tinha muito medo
E, muito, ela tinha medo.
Então tudo errou
Porque ele queria ter o que já tinha
E ela queria dar um nome ao que tinha
Porque eles quiseram ser o que já eram
Atentos agora, a leveza foi embora
E a sede, e a alegria também...
Tudo se transformou
Tudo era não, agora, sem um sorriso
Erros e desacertos
E quanto mais erravam
Mais exigentes e duros ficavam
E quanto mais queriam ter o que já tinham
Com mais aspereza queriam
Porque estavam atentos agora
E porque queriam ter o que já tinham.
Ele emergiu, porque não queria que ela fosse embora
E tinha medo, tudo é não agora
Por medo de perdê-la, foi procurar a mesma, a ela, lá fora
Ela imergiu, porque não queria que ele fosse embora
E tinha medo, tudo é não agora
Na espera mais longa, fria e dolorosa do que realmente era.
Porque estavam atentos
E sempre querendo ter o que já tinham
E ser, o que já eram.
E recomeçaram diversas vezes
Admiraram-se, amaram-se, extasiaram-se
E erraram, porque tinham medo
E quando, finalmente, ele quis se aproximar
O deserto da espera
Havia secado a água
Provando que a água era mesmo perigosa!
E há que se ter medo!
Tudo porque estavam por demais atentos
E não suficientemente distraídos...
E sempre querendo ter o que já tinham
E ser o que já eram
E tinham medo!
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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Humanidades & afins: CARINHO

Humanidades & afins: CARINHO

CARINHO


Ouço, quando choras nu, no teu silêncio
Vem, repousa tua cabeça, teu pensamento
No meu colo, que sorrindo, te acalento
Vem, costuro a chaga aberta do teu peito.

Sinto, respiro sim, o ar tão pesado
Da tristeza em que pensas tua vida,
Sem nada;
E rego tua alma cansada
Alivio a dor,
Do abandono
E de todos os teus partos

Dou-te, e sempre sorrindo, a minha mão
Podes confiar!
Com o meu carinho
Podes contar.

Mais não peças, não.
Não cabe tanta ilusão.

Se fantasiando o fizeres
Serei depositária infiel
De teus sonhos.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

QUANDO SE QUER A PAZ


Ah, quando se quer a paz!
Aceita-se a alteridade
Responde-se com bondade
Respeita-se opiniões

O sim e o não são gentis
Pensa em si, n'outro também
Que a generosidade
Nunca faz mal a ninguém

Meiga doçura no olhar...

Quando impera a paz
Acolhe-se com ternura
Escolhas, que não a sua
Verdades, em tudo que faz

Abraça-se com carinho
Protege de uma dor a mais
Porque sabe que de espinho
A vida já tem, demais

Nos gestos, voz... gratidão

A justa liberdade alia
Ao bem agir, compraz
Se pode, promove alegria
Quando vigora a paz
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Não é um acordo, ou diversos deles, mas um simples e leal bem-querer recíproco e verdadeiro. Nunca monocromático, mas sim, consistente.

terça-feira, 7 de abril de 2009

DE NÓS


Não, não entristeças por mim. Sorria
Se é tão doce lembrar de nós, ainda!
O encanto vivido, toda magia
Não some, a cada sonho que finda

Que mais posso sentir, que me historia
Mais que gratidão, que a vida nos brinda?
Ventura de viver, que acaricia
Saudade, assim, é sempre bem-vinda

Tons, tantos matizes, a colorir
Não, nem sempre o que esperava, embora
No teu olhar, terno, pude fluir

Grata, antes, ontem e nesta hora
Porque a saudade, a que eu sei sentir
É, sempre foi, como a que sinto agora

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DA LIBERDADE


Vai que podes!
Isso é tão verdadeiro e sincero!
Sentir, pensar, crescer,
Aprender, esquecer
Rebelar, aquiescer
Subir, descer, viver!

És livre!
Ao que preferir escolher
A tudo que desejar
A tudo satisfazer
Os desejos do corpo
As aspirações da alma

Vai que podes!
Isso é tão verdadeiro e sincero!
A mim
E a ti também!
Doar
Abster

Vai que podes!
Isso é tão verdadeiro e sincero
Quanto a materialidade
Que tudo contém
Quanto as contingências
Que muito mantém

Vai que podes!
Isso é tão verdadeiro e sincero
Quanto o coração profundo e secreto
Que sempre, sempre atento
Em última instância
É este, quem bate o martelo!

Vai que podes!
Isso é tão verdadeiro e sincero
Quanto a aprovação desejada
De uma vida glorificada
E tão verdadeiro e sincero
Quanto a existência da espada!


(É-se livre... para fazer, com os recursos que possui, o melhor.)
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