
Admiravam-se
Quase embriagados
E era uma embriaguez tão doce...
Entre sorrisos, era bom estarem juntos
Só o brilho e a brancura dos dentes
Agora eram importantes!
Porque o sorriso existia
Onde a alegria e a leveza imperavam.
Tinham sede
Mas a sede era por estarem boquiabertos
De tanto que se admiravam
E por respirarem adiantado o ar à sua frente
E essa sede, era a própria alegria deles.
Falavam e riam
Mas não se ouviam, não era importante
Estavam tão embriagados!
Riam e falavam
E era apenas para emprestar um pouco de materialidade
À leveza deles, de tanto que se admiravam
E tinham sede.
O melhor terno, o melhor vestido
O melhor perfume... agora também tinham valor
E peso, porque queriam agradar
Porque se admiravam e estavam embriagados
E tinham sede, e a água, entrevista, brilhava.
Amaram-se, enfim, beberam
E mergulharam no êxtase do encontro
Admiraram-se, amaram-se, extasiaram-se
Mas a água era escura e profunda
E tinha peso
E ele tinha muito medo
E, muito, ela tinha medo.
Então tudo errou
Porque ele queria ter o que já tinha
E ela queria dar um nome ao que tinha
Porque eles quiseram ser o que já eram
Atentos agora, a leveza foi embora
E a sede, e a alegria também...
Tudo se transformou
Tudo era não, agora, sem um sorriso
Erros e desacertos
E quanto mais erravam
Mais exigentes e duros ficavam
E quanto mais queriam ter o que já tinham
Com mais aspereza queriam
Porque estavam atentos agora
E porque queriam ter o que já tinham.
Ele emergiu, porque não queria que ela fosse embora
E tinha medo, tudo é não agora
Por medo de perdê-la, foi procurar a mesma, a ela, lá fora
Ela imergiu, porque não queria que ele fosse embora
E tinha medo, tudo é não agora
Na espera mais longa, fria e dolorosa do que realmente era.
Porque estavam atentos
E sempre querendo ter o que já tinham
E ser, o que já eram.
E recomeçaram diversas vezes
Admiraram-se, amaram-se, extasiaram-se
E erraram, porque tinham medo
E quando, finalmente, ele quis se aproximar
O deserto da espera
Havia secado a água
Provando que a água era mesmo perigosa!
E há que se ter medo!
Tudo porque estavam por demais atentos
E não suficientemente distraídos...
E sempre querendo ter o que já tinham
E ser o que já eram
E tinham medo!
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